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Ministra Nísia fala a alunos de Harvard sobre enfrentamento a crises de saúde

Ministra Nísia fala a alunos de Harvard sobre enfrentamento a crises de saúde

Ministra Nísia fala a alunos de Harvard sobre enfrentamento a crises de saúde

Mestrandos do Departamento de Saúde Global e População da universidade norte-americana acompanharam a palestra na modalidade online

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, foi palestrante, na terça-feira (9), em uma aula sobre desafios de liderança para alunos do programa de mestrado em saúde pública da Harvard T. H. Chan School of Public Health. A proposta do curso é entender como o conhecimento científico pode ser aplicado, de maneira prática, para resolver problemas de saúde pública a partir do olhar de líderes de instituições de saúde globais. Entre os principais tópicos de discussão, estavam a visão da ministra para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), a resposta pública aos casos de dengue e os esforços para enfrentamento da pandemia de covid-19.

Nísia foi convidada em reconhecimento à sua atuação em crises de saúde pública. Ela iniciou a palestra contando sobre sua trajetória como cientista. Primeira mulher que assumiu o comando da pasta da Saúde no Brasil e que presidiu a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a ministra é membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC), doutora em Sociologia (1997) e mestre em Ciência Política (1989) pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). “Minha trajetória conta com 37 anos de carreira no setor público”, contou.

Lições da covid-19 e descentralização de recursos em saúde

Em relação ao coronavírus, a ministra reforçou a importante atuação da Fiocruz no combate ao negacionismo durante a pandemia e elencou algumas lições aprendidas, como a necessidade de descentralização geográfica da fabricação de vacinas e medicamentos. “Eu considero a pandemia de Covid-19 como um grande marcador da desigualdade social no mundo”, contou Trindade. Essa iniciativa foi levada pelo Brasil para o grupo de trabalho de saúde do G20, com a proposta da Aliança para a Produção Regional e Inovação. “É tempo de pensar a descentralização de recursos e equidade em saúde”, reiterou.

Preparação para possíveis pandemias

Sobre a preparação para futuras pandemias, ela elencou alguns desafios: além da promoção da equidade, da descentralização de insumos e da reorientação da pesquisa, ela também citou o reforço dos mecanismos de saúde, o fortalecimento da governança entre países e a necessidade de mudança nos paradigmas de comunicação para aproximar a ciência da sociedade. Os alunos também conheceram a trajetória de formação do SUS, os esforços da pasta para recuperação da confiança da população após a pandemia e a criação do Memorial da Covid-19. “É preciso conhecer, lembrar para, então, fazer diferente. […] No que diz respeito a esse aprendizado pelas sociedades, a memória é uma dimensão fundamental”, contou.

Equidade em saúde para o cuidado de população vulnerabilizadas

A equidade foi um tema central em suas falas – tanto entre países, quanto em relação a classe social, gênero, raça e etnia. Ela defendeu, inclusive, uma reorientação da pesquisa, tecnologia e inovação em saúde com foco no atendimento a populações vulneráveis, como o desenvolvimento de tratamento para doenças negligenciadas. “É importante que o campo da pesquisa acompanhe as necessidades dos países que pertencem ao sul global”, sugeriu.

Mudança climática e seus efeitos na saúde global

Sobre a presidência brasileira no G20, ela indicou que um dos temas prioritários no trilho da saúde é a relação entre mudança do clima e saúde. A ministra apontou que a alta de casos de dengue, entre outros fatores, é consequência dos efeitos da mudança climática, e, inclusive, tem alcançado vários países, como é o caso do Uruguai, que dialoga com o Brasil para entender como proteger sua população. “Não é possível abordar a complexidade da saúde apenas a partir do campo biomédico ou do campo das políticas de saúde pública. A questão ambiental hoje se coloca como uma questão central para todas as áreas de conhecimento […]. O mapa da vulnerabilidade ambiental se aproxima muito da vulnerabilidade social”, concluiu.